terça-feira, 29 de dezembro de 2009

SÉRIE MEU INSTRUMENTO MUSICAL - BOMBARDINO




O eufónio (português europeu) ou eufônio (português brasileiro) ou bombardino é um aerofone da família dos metais.

O eufónio é frequentemente confundido com o barítono. Contudo, o barítono pertence à classe das saxotrompas (tubo mais estreito, bocal mais semi-esférico), enquanto o eufónio pertence à classe das tubas (tubo mais largo, bocal mais profundo).

O nome do instrumento provém da palavra Euphonium que significa “som bonito”. Assim é chamado por ter o timbre mais suave e “redondo” que o do trombone. Usualmente tem 4, 5 ou 6 válvulas e também é conhecido como tuba tenor. A sua extensão é semelhante à do trombone e à do fagote, alcançando 4 oitavas.

O eufónio é caracterizado por um timbre escuro, suave e delicado. O som do eufónio não consegue se destacar no meio de uma orquestra, por sua característica suave e madura. Além disso, a posição da campânula virada para cima, tendo a peculiaridade de misturar seu som com o dos outros instrumentos.

Geralmente os eufónios estão afinados em Si b e em Dó, tendo o eufónio em Dó um som mais áspero e brilhante. Este eufónio foi fabricado quase exclusivamente para Portugal.
[editar]O Sistema de Válvulas

Até à segunda metade do século XVII, os instrumentos de metal tinham uma grande limitação, era o facto de terem uma única série de sinfónicas em cada instrumento. Se um músico tivesse de tocar uma peça que estivesse na tonalidade de Sol Maior, ele teria que utilizar um instrumento que estivesse afinado na tonalidade de Sol Maior.

Para evitar que os músicos tivessem de carregar instrumentos nas várias tonalidades ou dispositivos que alternassem a tonalidade, Helnrick Stozel e Friedrick Blushmel inventaram o sistema de válvulas, possibilitando, num só instrumento, tocar uma escala cromática e fazer transposições. A válvula é um dispositivo que, quando premido, desvia o ar, passando-o por um pequeno tubo extra, que baixa o registo do instrumento; a 2ª válvula baixa no registo meio tom; a 1ª válvula baixa um tom e a 3ª baixa um tom e meio. Com a série de três válvulas apenas, foi possível tocar uma escala cromática, abaixo representada, premindo as válvulas em sete combinações diferentes.

A 4ª válvula tem duas funções: a principal é o registo grave, a partir do Fá# o eufonista tem que usar a 4ª válvula. Esta também ajuda na afinação do Ré2 e Réb2.
[editar]O sistema compensado

O sistema compensado foi inventado pelo britânico David Blaikey em 1874, para que, no caso do eufónio, possa-se tocar uma escala cromática afinada ao utilizar o registo grave. Nos eufónios de sistema não-compensado, a 4ª válvula é a mais desafinada, sobretudo nas notas mais graves, em que estas chegam a estar meio tom mais altas. Nos eufónios com sistema compensado, é possível tocar uma escala cromática afinada. Esse sistema entra em acção quando o eufonista usa uma combinação da 4ª válvula com outra(s). Ao premir a 4ª válvula, o ar é canalizado de forma a passar por uma pequena extensão de tubo, baixando ligeiramente a afinação, e assim, resolvendo o problema da afinação das notas graves.


Fontes:
http://www.eccn.edu.pt/alunos/sofia_tiago/bombardino.htm
http://pt.wikipedia.org/w/index.phptitle=Especial:Busca&search=bombardino&fulltext=Pesquisa

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ENTREVISTA COM O MAESTRO "NETO DE PINTA" DA BANDA DE ACARI

video

SÉRIE: GLOSSÁRIO MUSICAL - LETRA C

C: designação alfabética da nota Dó usada nos países de língua inglesa e alemã.

Caccia (ital.): forma vocal utilizada na Itália por Landini e outros compositores da Ars Nova, sobretudo no século XIV. "Da caccia", indicação que podemos encontrar em cantatas de Johann Sebastian Bach, por exemplo, precisa o carácter de certos instrumentos do Barroco.

Cadência: fórmula da harmonia tradicional que conclui uma frase ou uma obra.

Caixa de ressonância: corpo de um instrumento cuja cavidade amplifica a vibração das cordas.

Calando (ital.): diminuição da intensidade retardando o andamento.

Canção de embalar: canção popular em andamento lento e melodia docemente balançada para adormecer as crianças.

Cânone: forma musical baseada na imitação - uma melodia é executada em duas ou mais partes diferentes, repetindo-se indefinidadmente.

Cantata: obra para coro e/ou vozes solistas, com acompanhamento instrumental.

Cantus firmus (lat.): melodia de um canto religioso ou profano, tomado como base de uma obra contrapontística.

Cantus firmus (lat.): melodia de um canto religioso ou profano, tomado como base de uma obra contrapontística.

Canzona (ital.): canção polifónica renascentista ou obra instrumental composta no mesmo estilo.

Cifra: símbolo usado na música para designar um acorde e a sua composição.

Clave: símbolo colocado logo no princípio da pauta ou pentagrama para indicar o nome das notas musicais. Há três claves: Sol, Fá e Dó, em diferentes linhas da pauta.

Cláusula: cadência na música medieval.

Coda: termo italiano que significa cauda, isto é, fim de um trecho musical, de um andamento de uma sonata ou sinfonia.

Col legno (ital.): locução italiana que significa "com a madeira" em vez de tocar com o arco da forma normal (indicação para os intrumentistas de arco).

Coloratura: significando inicialmente cor ou colorido, a palavra italiana passou a designar as obras vocais extremamente ornamentadas em registo agudo que exigem do intérprete grande virtuosidade.

Compasso: divisão métrica de um texto musical, em que há uma regularidade de tempos fortes e fracos.

Concerto: obra para um ou mais instrumentos e orquestra.

Concerto grosso: concerto barroco em que a um pequeno grupo solista (concertino) se contrapõe o orquestral ("ripieno").

Conductus (lat.): forma medieval em que uma voz realizava um contraponto incipiente sobre um canto dado, chamado "cantus firmus".

Consonância: combinação de sons simultâneos que produzem uma sensação de equilíbrio ou repouso.

Contralto: a voz feminina mais grave.

Contraponto: música em com várias vozes independentes e autónomas.

Cordofone: instrumento com cordas, sejam elas percutidas, como o caso do piano, friccionadas com um arco, como ou violino, ou dedilhadas, como a guitarra portuguesa.

Coro: grupo de cantores que executam em conjunto obras de música profana ou sacra, a uma ou várias vozes diferentes, masculinas, femininas ou mistas, juvenis ou adultas.

Corpo: a caixa de ressonância de um instrumento musical.

Cromática: escala em que os doze sons se sucedem sempre por meios tons, por movimento ascendente ou descendente.

Courante (fr.): dança aristocrática francesa, em compasso ternário, inserida na suite clássica.

Crescendo (ital.): aumento progressivo da intensidade de uma parte da música.

sábado, 5 de dezembro de 2009

EQUIPE DO PROGRAMA CORETO VISITA A CIDADE DE CAMPO GRANDE NO MÉDIO OESTE POTIGUAR






A equipe do Programa Coreto esteve na cidade de Campo Grande, no médio oeste potiguar, visitando a Banda de Música Padre Militão Benedito de Mendonça .

Na oportunidade, o apresentador do programa, Glauco Espínola, juntamente com a equipe formada pela sua esposa Joardiva, Junhão, Gata (músico da banda de música de Acari) e o convidado Neto de Pinta (maestro da banda de Acari).

Em Campo Grande a equipe foi recepcionada pelo maestro Ranieri que levou-os primeiramente para a Rádio Independência para um bate papo acerca da musicalidade da cidade e sobre a importância da iniciativa do Programa Coreto para a valorização das bandas de músicas.

Após o bate papo na rádio, a equipe assistiu uma belíssima apresentação da Banda de Música Padre Militão Benedito de Mendonça, formada em sua maioria por crianças, jovens e adolescentes.

Por fim, foram realizadas entrevistas com o maestro Ranieri, Neto de Pinta e Gata, tendo como abordagens temáticas a importância para as bandas de música em suas vidas e para a sociedade.

Do Blog: Nosso muito obrigado ao maestro Ranieri e aos músicos da Banda de Música Padre Militão de Campo de Grande pela ótima receptividade, esperamos voltar muitas vezes a essa maravilhosa cidade.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

HOMENAGEM A BANDA DE MÚSICA MAESTRO JOAQUIM AMÂNCIO – CARAÚBAS-RN

I
A Banda de Caraúbas
no Estado Potiguar
Maestro Joaquim Amâncio
lindas músicas tocar
o orgulho do sertão
a melhor da região
nem se pode comparar.

II
Parabéns para o masetro
o meu amigo Toinho
ele se dedica a música
e trabalha com carinho
homem sério e competente
com todo seus componentes
ele não fica sozinho.

III
A Banda toca dobrados
e nos faz recordação
toca valsa e qualquer música
com toda dedicação
ela é nossa cultura
alegra a criatura
e é uma tradição.

IV
Todo mundo dá apoio
não importa o mês do ano
onde ela for tocar
com o seu jeito humano
tem apoio e liberdade
de um filho da cidade
é o Senhor Cassiano.

V
Novos são os instrumentos
com os músicos a tocar
Salú e Joaquim Amâncio
já tiveram a comandar
hoje no memorial
com o pai celestial
já podem se orgulhar.

VI
Patrimônio cultural
que de Deus é um presente
é muito valorizada
e eu digo consciente
entra na nossa história
também fica na nemória
do caraubense ausente.

VII
Uma jóia preciosa
toda festa de Janeiro
músicos todos unidos
dando atenção primeiro
a toda população
e a São Sebastião
nosso Santo Padroeiro.

VIII
Começa com o desfile
pra Igreja a caminhada
cinco horas da mnhã
ela toca a alvorada
a Salva de meio dia
para nossa alegria
lindas músicas tocada.

IX
A Banda é muito amada
pois sempre se dedicou
a qualquer tipo de música
o que mais ela tocou
digo aqui no meu esquema
a valsa Royal Cinema
a todos emocionou.

X
Assim nossa Caraúbas
lugar que a gente aclama
tem uma Banda tão boa
e também de muita fama
e com a minha bagágem
eu fiz esta homenágem
a quem tanto a gente ama.

Ilton Gurgel, poeta.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SÉRIE: GLOSSÁRIO MUSICAL - LETRA B



Bemol:
sinal usado na notação musical para baixar meio tom, sem que ela mude de nome. O duplo bemol baixa dois meios tons.

Benedicamus Domino (lat.): fórmula dialogada utilizada na liturgia como cláusula da Liturgia das Horas ou a própria Missa.

Benedicite (lat.): antiga oração de bênção da refeição nos mosteiros e nos lares cristãos.

Benedictus (lat.): segunda parte do "Sanctus", na Missa. Na Liturgia, quando se fala hoje em "Benedictus" refere-se o canto Bíblico retirado do Evangelho de São Lucas 1, 68, que começa com as palavras "Benedictus Dominus Israel" ("Bendito o Senhor, Deus de Israel") e é cantado na Liturgia das Horas, na oração matinal de Laudes. Este é, com o "Magnificat" (cantado ou rezado à tarde, na oração de Vésperas) e o "Nunc dimittis" (na oração de completas, antes de deitar), um dos cânticos maiores da Igreja Católica Romana.

Bequadro: sinal gráfico usado na notação musical para anular o efeito das alterações anteriores.

Binário: compasso ou ritmo de dois tempos, sendo forte o primeiro tempo e fraco o segundo. Os compassos simples são constituídos por tempos divisíveis por dois (divisão binária).

Bis (lat.): no fim de um refrão, por exemplo, significa que se canta "duas vezes". No fim de um concerto, o público pede a repetição de uma peça ou a execução de um número extra programa.

Bitonalidade: base de composição de uma peça musical em que estão presentes duas tonalidades em simultâneo.

Bizantino (canto): canto tradicional da Igreja ortodoxa cujas origens remontam ao canto hebraico e a tradições musicais sírias e arménias.

Blues (ingl.): música lenta e triste dos negros americanos, sobre poesia popular, que fundiu as influências das músicas europeias e africanas.

Bolero: dança espanhola, particularmente andaluza, conhecida desde finais do séc. XVIII, em compasso ternário e andamento moderado. Tornou-se também popular na América Latina e mesmo em Paris, no século XIX, sendo especialmente conhecida na música erudita pela obra homónima de Ravel.

Bombarda: instrumento de sopro em madeira, de palheta dupla, da família do oboé, usado especialmente entre os séculos XV-XVII; registo do órgão.

Bombo: membranofone, o maior dos tambores.

Bourdon: um dos registos de base do órgão de tubos, tanto na pedaleira como nos outros teclados.

Bourrée (fr.): antiga e animada dança francesa em compasso binário ou ternário, ainda hoje praticada em certas regiões de França (Berry).

Breve: unidade fundamental de duração na métrica antiga, valendo duas semibreves, que se manteve nos solfejos até meados do século XX.

BWV: abreviatura de Bach-Werke-Verzeichnis, no catálogo usado para designar as obras de Johann Sebastian Bach, segundo a organização de Wolfgang Schmieders.

Fonte: http://www.meloteca.com/dicionario-musica.htm#d

terça-feira, 24 de novembro de 2009

SEMANA DA MÚSICA DA EMUFRN


De 23 a 28 de novembro de 2009 – Escola de Música da UFRN

A Diretoria da EMUFRN convida a comunidade acadêmica na área musical para juntos celebrarem as alegrias da música, desta feita por ocasião da Semana da Música, importante evento anual.

A Semana da Música terá em sua programação Apresentações Musicais, Lançamentos de livros, Mini Cursos, Master Classes, Palestras.

Semaninha da Música (direcionada para crianças), V Fórum de Pesquisa da EMUFRN e a realização do Prêmio EMUFRN 2009

Podem participar ativamente da nossa programação quaisquer interessados, seja da comunidade externa ou alunos da UFRN bastando para isto efetivar a inscrição on-line atentando para as orientações dispostas no formulário.

Para mais informações acesse: http://www.musica.ufrn.br/semana2009/site/index.html


Informação enviada pelo renomado músico trompetista e maestro João Simplício.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SÉRIE: MEU INSTRUMENTO MUSICAL - FLAUTA TRANSVERSAL






A história da flauta é antiga, e infelizmente não há um nome para quem a inventou.

A flauta transversal é um aerofone da família das madeiras. É um instrumento não palhetado, possuindo um orifício por onde o instrumentista sopra perpendicularmente ao sentido do instrumento, tem esse nome devido a sua posição ao ser tocada, existe desde tempos pré-históricos. Sua origem ocorreu possivelmente na Ásia Central, portanto foi utilizada amplamente entre gregos, egípcios, etruscos e hebreus na antiguidade. Sendo assim, a flauta é um dos instrumentos musicais mais antigos que se tem notícia.

O homem primitivo supostamente criou as primeiras versões da flauta, sendo constituída por ossos com alguns poucos furos. Cientistas acreditam que essas flautas primitivas não foram exclusivamente preparadas para a música, mas principalmente para a caça e comunicação.

No século VII a.C., a flauta-de-pã era usada na Grécia e se espalhava no restante da Europa, onde a flauta transversal era bastante incomum. A flauta doce apareceria no século XIII.

A flauta só ficou definitivamente conhecida na Europa a partir do século XII, tornando-se popular principalmente na Alemanha, motivo pelo qual recebeu o nome de Flauta Alemã ou Germânica. Esse nome por 800 anos diferenciou a flauta transversal da flauta doce. A flauta nessa época foi usada tanto para entretenimento como para fins militares.

Inicialmente esse instrumento era feito de um pedaço de madeira fechado em uma das extremidades e aberto na outra, com 5 orifícios. Conforme o tempo foi passando, a forma e o material da flauta evoluiu.

Até o barroco, a flauta transversal dividia igualmente o campo da instrumentação com as flautas retas, como a flauta doce. A partir do século XVIII, passou a ser mais importante. A flauta transversal como a conhecemos hoje data de 1871, a partir de um aperfeiçoamento feito pelo flautista e pesquisador de instrumentos Theobald Boehm.

Dentro de uma orquestra sinfônica há, geralmente três flautistas. É comum que as flautas na orquestra dobrem a melodia dos violinos, acrescentando-lhes suavidade e brilho.

A flauta é particularmente usada em passagens rápidas e salteadas - aliás, o virtuosismo na flauta se mostra também na agilidade. Diz-se que é o instrumento mais ágil da orquestra.

A extensão normal da flauta é de três oitavas. Estudos acústicos levaram os flautistas a conseguir obter um maior alcance no instrumento.

Segundo o maestro Sérgio Magnani, o som da flauta possui característica muito próprias em cada registro. O grave é aveludado, sensual e misterioso. O registro central é sonhador e pastoril, evocando atmosferas de pureza. O agudo é brilhante e penetrante, pode soar estridente se tocado sem cuidado.

Na flauta, a emissão do som é relativamente fácil, levando ao virtuosismo quase espontâneo no que diz respeito à velocidade. Não tão fácil é obter um som vibrante sem ser vulgar no forte ou inconsistente no piano. As dificuldades de execução apresentam-se também pela natureza heterogênea dos registros, tanto tem timbre, quanto em volume de som. O agudo é potente e brilhante, e o grave, aveludado e de difícil emissão. O controle da embocadura, por se tratar de um instrumento de embocadura livre, deve ser minucioso, já que pequenas alterações no ângulo do sopro interferem bastante no equilíbrio da afinação.

O instrumento era feito originalmente de madeira, passando-se posteriormente a fabricá-lo em prata ou outro metal, que confere uma maior intensidade do som, melhor afinação, mais facilidade de uso das chaves. Ainda há orquestras que utilizam flautas de madeira, justificando-se pela beleza de timbre inigualável.

Fontes:
http://www.flauta-br.com.br/flauta/historia-da-flauta/historia-da-flauta.asp
http://www.flautista.net/historia.html

sábado, 21 de novembro de 2009

SÉRIE: GLOSSÁRIO MUSICAL - LETRA A




A: Letra que, no sistema alfabético (países anglossaxónicos), designa a nota chamada Lá no sistema silábico de Guido d'Arezzo. Na Época Medieval, a letra A já designava a nota Lá. A letra A pode também ser a abreviatura de "alto" (Cf. SATB).

A battuta: "com o compasso", é uma indicação que aparece após uma passagem (cadência, por exemplo) tocada livremente, "ad libitum".

A capella: Locução que designava inicialmente composições polifónicas como "na capella", em ritmo binário "alla breve". A partir do século XIX, passou a designar a música vocal sem acompanhamento instrumental.

ABA: forma musical estruturada em três secções ou partes, sendo a terceira uma repetição com variações da primeira, em contraste com a secção B.

Abendmusik(alem.): Traduzido literalmente, significa "Música da Tarde", designando concertos de música sacra na MarienKirche de Lübeck. Esta instituição teve um grande impulso com Buxtehude, no terceiro quartel do século XVII.

Abertura: peça instrumental que pode ou não introduzir uma obra de grande desenvolvimento, como uma ópera, cantata ou oratório.

Abreviatura: conjunto de letras que simplifica a escrita nas partituras, cada vez mais complexas a partir do século XVII. Podem ser indicações de intensidade, como p de piano, indicações de movimentos regulares, como glissandi, substituições de acordes, no caso do baixo cifrado.

Accelerando (ital.): Literalmente, significa "acelerando", apressar gradualmente o andamento de uma peça.

Accentus (lat.): canto do celebrante que preside na Liturgia Romana, ao qual o coro ou os solistas respondem em uníssono (concentus).

Acciacatura (ital. acciacare): ornamento melódico utilizado na literatura para cravo e instrumentos de tecla, em que uma nota, uma segunda menor inferior à principal, é atacada ao mesmo tempo, mantendo-se depois apenas a principal.

Acento: sinal em forma de ângulo que na posição vertical (v) significa aumento súbito da intensidade da nota, enquanto na posição horizontal (>) significa ataque forte seguido de diminuição súbita da intensidade. Na posição invsersa (<) significa ataque suave seguido de aumento súbito da intensidade.

Acidente: Sinal de notação que indica alteração de uma nota, estranha à tonalidade indicada pela armação da clave. O bemol baixa meio tom, o sustenido sobe meio tom e o bequadro anula o efeito do sustenido ou bemol.

Acompanhamento: conjunto de elementos vocais e instrumentais que estão subordinados à parte principal e a realçam, pelo seu poder expressivo, carácter rítmico e riqueza harmónica.

Acoplamento: dispositivo que, no órgão de tubos ou no cravo, permite associar as sonoridades diferentes de dois teclados.

Acorde: grupo de três ou mais sons simultâneos identificáveis como um conjunto (dó mi sol, por exemplo, com duas terceiras sobrepostas).

Acústica: capítulo da Física e da Música que estuda os fenómenos sonoros, a sua natureza, produção e propagação.

Ad libitum (lat.): como "a piacere", "senza tempo", "a capriccio", significa "à vontade", livremente, conferindo ao intérprete certa liberdade no andamento de uma passagem ou cadência.

Adagietto (ital.): diminutivo de "adagio", designa um andamento um pouco menos lento e um carácter mais ligeiro que o "adagio".

Adagio (ital.): literalmente "à vontade", designa um andamento lento de carácter sério, 100-126 batimentos por minuto. Na sinfonia, o "adagio" é, muitas vezes, o segundo andamento.

Aerofone: tipo de instrumento, como a flauta, o acordeão ou a trompete, cujo som é produzido pela vibração de uma coluna de ar dentro de um tubo. A classificação dos instrumentos feita por Hornbostel e C. Sachs distingue, além dos aerofones, os membranofones, cordofones e idiofones.

Affetto (ital.): afecto, palavra usada por G. Caccini e outros compositores do Barroco para significar um estado de alma e ornamentos vocais inspirados em afectos do texto poético.

Affetuoso (ital.): termo usado essencialmente no Barroco para exprimir um sentimento terno.

Agnus Dei (lat.): "Cordeiro de Deus", designa a tripla invocação feita na missa, com base na metáfora usada por João Baptista, no Evangelho segundo São João, e Apocalipse, para designar Jesus.

Agógica: conjunto de pequenas flutuações na execução de uma obra musical ao nível do andamento, permitindo certa liberdade de expressão e interpretação.

Agregado sonoro(cluster, em inglês): grupo de notas com pequenos intervalos entre elas, tocadas ao mesmo tempo, não identificável com os acordes da harmonia clássica.

Agudo: som de altura elevada, som "fininho", com elevado número de vibrações por segundo.

Aleatória (música): expressão que, no século XX, em obras de Boulez, Berio e Stochausen, por exemplo, apresenta certo grau de indeterminação que pode afectar vários parâmetros da estrutura global de uma obra.

Aleluia (hebr.): literalmente a palavra significa "louvai a Deus". É uma expressão e canto de louvor que aparece em alguns salmos e é utilizada nas celebrações eucarísticas ao longo do ano litúrgico, excepto na Quaresma (em que a aclamação ao Evangelho tem outra expressão menos festiva, como "Louvor a Vós, Rei da Eterna Glória").

Alemanda: canção e dança de origem germânica, de andamento moderado, em compasso quaternário 4/4, que passou a ser utilizada em França a partir do séc. XVI nas suites instrumentais.

Al fine (ital.): expressão que indica que, após a repetição da primeira parte de uma peça, se deve prosseguir "até ao fim".

Alla (ital.): palavra italiana que significa "à maneira de", como no "Rondó alla turca" de W. A. Mozart.

Alla breve (ital.): "À breve".

Alla marcia (ital.): locução italiana que significa "com carácter de marcha".

Allargando (ital.): alargando, retardando progressivamente o andamento.

Allegretto (ital.): diminutivo de allegro, indica um andamento mais lento que o allegro e pode ser acompanhado de adjectivo, "giocoso", por exemplo.

Allegro (ital.): Termo que significa inicialmente carácter "alegre" e designa um andamento rápido, entre 120-168 semínimas por minuto.

All'ottava (ital.): "à oitava", é um procedimento que permite escrever notas acima ou abaixo da pauta sem recorrer a muitas linhas suplementares.

Al segno (ital.): a expressão significa "ao sinal", indicando que uma parte da peça deve ser repetida a partir do sinal S e não desde o princípio.

Alteração: modificação da altura de uma nota em relação ao seu estado natural, através de bemol, duplo bemol, sustenido, duplo sustenido, ou bequadro.

Alternância: execução da música repartida por solista e grupo, ou dois grupos, ou dois solistas, presente tanto na música tradicional como na música erudita, sacra ou profana.

Alto: a mais grave das vozes femininas. As solistas aparecem mais frequentemente designadas por contralto.

Altura: qualidade dos sons que os torna mais graves ou mais agudos e que tem a ver com a frequência mais ou menos elevada, com o número maior ou menor de vibrações por segundo.

Âmbito: intervalo entre a nota mais grave e a nota mais aguda de uma partitura, obra vocal ou instrumento.

Ambrosiano: canto eclesiástico atribuído a Santo Ambrósio, bispo de Milão (340-397).

Amen (hebr.): usada muitas vezes por Jesus, a palavra significa "em verdade", ou "assim seja". Na liturgia, dita ou cantada, a palavra significa adesão ao que foi dito antes.

Anacrusa: nota ou grupo de notas não acentuadas que começam um trecho musical antes do primeiro tempo forte.

Análise: estudo da forma, estrutura, tonalidade, ritmo, harmonia, melodia, orquestração, temática, intensidade, dinâmica e outros parâmetros de uma obra musical.

Andamento: grau de velocidade ou movimento, mais lento ou mais rápido, de uma música.

Andante (ital.): palavra que apareceu em finais do séc. XVII e significa "andando". Designou um andamento moderado, entre o adagio e o allegro; com o romantismo, aproximou-se do adagio. A sua velocidade está entre 76-108 semínimas por minuto.

Andantino (ital.): diminutivo de andante, designa um movimento um pouco mais rápido que o andante.

Animato (ital.): andamento animado. Exemplo: andante animato.

Antecipação: técnica de composição que consiste na escrita de uma nota estranha à harmonia que pertence já ao acorde seguinte.

Antífona (gr.): elemento muito antigo da liturgia católica que se canta normalmente no princípio e no fim de um salmo ou cântico bíblico.

Antifonário: em sentido estrito, o livro que continha as antífonas para a Missa e o Ofício Divino, na liturgia católica.

A piacere (ital.): sinónimo de "ad libitum", "à vontade", livremente no que se refere ao tempo e ao uso do rubato pelo intérprete.

Apassionato (ital.): indicação essencialmente romântica que aparece na partitura a prescrever um estilo ardoroso e apaixonado.

Appoggiatura (ital.): nota (longa ou breve) estranha à harmonia do acorde, dissonante, que resolve por tom ou meio tom ascendente ou descendente.

Ar: elemento gasoso que, no canto, faz vibrar as cordas vocais e vibra quando o executante ou um mecanismo faz com que ele entre num tubo.

Arco: parte de madeira e pelo de crina de cavalo com que normalmente os vioninistas, violistas e violoncelistas friccionam as cordas do instrumento. Na partitura, a palavra indica ao violinista que deve retomar o arco, após um "pizzicato".

Argumento: resumo da intriga de uma ópera ou obra dramática.

Ária: melodia cantável, ou trecho incluído numa ópera, por exemplo, cantado a solo com acompanhamento instrumental. Na música instrumental, francesa, sobretudo, designa uma peça com carácter melódico.

Armação da clave: número de sustenidos ou bemóis que, colocados no princípio da pauta, imediatamente a seguir à clave, afectam todas as notas respectivas. A ordem dos sustenidos é "fá dó sol ré lá mi si" e a dos bemóis é "si mi lá ré sol dó fá". Se existe apenas um sustenido, na linha do Fá, por exemplo, todas as notas Fá são Fá #, a não ser que, entretanto, apareça indicação contrária (bequadro). No fundo, as alterações constitutivas fazem com que se mantenha a sequência de tons e meios tons que existe na escala de Dó maior, qualquer que seja a nota em que se comece.

Arpejo: execução sucessiva das notas de um acorde, da nota mais grave para a mais aguda, podendo também suceder o inverso.

Arranjo: transcrição de uma peça para um instrumento ou instrumentos diferentes daqueles para que foi composta, ou redução de uma obra orquestral para um instrumento.

Ars Antiqua (lat.): música que vai desde as origens da polifonia, de finais do séc. IX até ao primeiro quartel do séc. XIV.

Ars Nova (lat.): estilo polifónico na França do século XIV, com novas formas musicais como o motete a três e quatro vozes, novas temáticas musicais, ritmo e contraponto mais livres.

Articulação: execução clara do fraseado, interpretação desligada das notas de uma peça instrumental.

Assai (ital.): ligada a uma indicação de andamento, significa "bastante". "Allegro assai" significa tempo bastante rápido.

Ataque: fase inicial da produção de um som por um instrumento. Pode também significar o início, a primeira ou as primeiras notas de uma peça musical.

A tempo (ital.): locução sinónima de "tempo primo", que devolve uma peça ao andamento incial, após uma parte em que aconteceu uma aceleração ou retardamento.

Atonal: música sem um centro tonal ou nota que atraia as outras ou tenha preponderância sobre elas.

Atonalidade: característica da música em que não são aplicadas as funções e leis tonais em que repousa a música ocidental desde o Barroco.

Audição: conjunto de processos que vão desde a percepção pelo ouvido humano ao reconhecimento dos sons pela consciência.

Aumentação: Prolongação da duração de uma nota, através de um ponto, por exemplo. Processo da composição que consiste em acrescentar proporcionalmente valor às notas.

Aumentado: intervalo (ou acorde) meio tom maior do que o intervalo normal. Dó-Fá, por exemplo, é uma quarta justa; Dó-Fá# é uma quarta aumentada.

Ave Maria (lat.): a mais conhecida de todas as orações do culto católico à Virgem, cujas palavras se baseiam no Evangelho de São Lucas, na Anunciação do Anjo e Visitação de Isabel à sua prima Maria. Numerosos compositores musicaram esta oração, desde a Renascença à actualidade. A "Ave Maria" de Franz Schubert é a adaptação latina, apócrifa, de uma poesia alemã sobre a qual o compositor escreveu. Num processo questionável, Gounod acrescentou uma melodia ao primeiro prelúdio do "Cravo bem temperado", de Johann Sebastian Bach. A "Ave Maria" de Verdi é uma oração de Desdémona, da ópera "Otelo".


Fonte: http://www.meloteca.com/dicionario-musica.htm#d

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O MAXIXE

O maxixe nasceu primeiro como dança. Dançava-se à moda maxixe as polcas da época, as habaneras, etc. Só mais tarde nasceu a música maxixe ou o ritmo maxixe e as composições passaram a trazer impresso em suas partituras o nome de maxixe como gênero.

O maxixe foi a primeira dança urbana criada no Brasil. Surgiu nos forrós da Cidade Nova e nos cabarés da Lapa, Rio de Janeiro RJ, por volta de 1875. Conhecido como a “dança proibida”, era dançado em locais mal-vistos pela sociedade como as gafieiras da época que eram freqüentadas também por homens da sociedade, em busca de diversão com mulheres de classes sociais menos favorecidas. Considerado imoral aos bons costumes da época, além da forma supostamente sensual como seus movimentos eram executados foi perseguido pela Igreja, pela polícia, pelos educadores e chefes de família.

A época do aparecimento do maxixe (música) coincide com a popularização da schottisch (nosso xotis, aportuguesado) e da polca. Teria o maxixe nascido exatamente da descida da polca, dos pianos dos salões para a música dos choros, à base de flauta, violão e ofclide. Transformada a polca em maxixe, via lundu dançado e cantado, por meio de uma estilização musical realizada pelos músicos dos conjuntos de choro, a descoberta do novo gênero de dança chegou ao conhecimento das outras classes sociais do Rio de Janeiro quase ao mesmo tempo em que a sua criação. Os veículos de divulgação da nova dança, foram os bailes das sociedades carnavalescas e o teatro de revista.

Segundo uma versão de Villa-Lobos, o maxixe tomou esse nome de um indivíduo apelidado Maxixe que, num carnaval, na sociedade Estudantes de Heidelberg, dançou um lundu de uma maneira nova. Foi imitado e toda gente começou a dançar como o Maxixe. Jota Efegê no seu maravilhoso livro Maxixe - a dança excomungada, editado em 1974 não corrobora esta versão. Mas também não consegue explicar a origem do nome. Em suas exaustivas pesquisas ele encontrou uma variedade grande de explicações que dão à origem do maxixe, até hoje, um certo ar de mistério.

A música denominada maxixe só se firmou como tal depois da dança se haver caracterizado plenamente. Dançava-se maxixe, ou à moda maxixe, as polcas, as habaneras, a polca-lundu e posteriormente até o tango brasileiro, chamado de tanguinho. As primeiras partituras a apresentarem o nome maxixe como gênero de música, só apareceram por volta de 1902 a 1903.

Sua entrada nos salões elegantes das principais capitais brasileiras foi terminantemente proibida até que, em 1914, Nair de Tefé, primeira dama do país, esposa do então presidente Hermes da Fonseca, iria escolher um maxixe, o "Gaúcho" ou "Corta-jaca", de Chiquinha Gonzaga, para ser executado ao violão, nos jardins do Palácio do Catete, para escândalo de todo o país.

Como todas as criações desse nosso miscigenado povo, ele se formou musical e coreograficamente pela fusão e adaptação de elementos originados em várias partes. Segundo o que se apurou até agora, a polca européia lhe forneceu o movimento, a habanera cubana lhe deu o ritmo, a música popular afro-brasileira como o lundu e o batuque também concorreram e finalmente o jeitinho brasileiro de dançar e tocar completaram o trabalho.

Segundo Marisa Lira, o maxixe foi o primeiro passo dado para a nacionalização da nossa música popular. Os compositores da Velha Guarda dedicaram ao povo "endiabrados maxixes que entonteceram à gente daquela época".

Entre os cultores do gênero - como música e não como dança - destacam-se Irineu de Almeida, Sebastião Cyrino e Duque, Sinhô, Romeu Silva, Pixinguinha, Paulinho Sacramento, Freire Junior e Chiquinha Gonzaga - a grande maestrina brasileira, que compreendeu perfeitamente o ritmo desse gênero musical e, graças as várias facetas do seu talento, criou um maxixe para a peça "Forrobodó", uma burleta de costumes cariocas de Carlos Bittencourt e Luiz Peixoto e que fez enorme sucesso na época.

Fontes:
Memória do Rádio – Bauru-SP , Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ed. Publifolha.
http://cifrantiga3.blogspot.com/2006/02/maxixe-dana-proibida.html

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O responsável pelo blog do Programa Coreto esclarece e justifica aos seus internautas que o blog ficou sem ser atualizado durante esse período devido o referido organizador estar participando do I FÓRUM POTIGUAR DE PONTOS DE CULTURA, realizado em Natal.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Breve História do Clarinete



A história do clarinete na primeira metade do séc. XVII traduz-se numa verdadeira luta pela sobrevivência da flauta doce e pela sua integração plena na paleta sonora da orquestra.''Inventado'' à volta de 1700 por Johann Christoph Denner, e seu filho Jacob, fabricante de instrumentos de sopro em Nuremberg partindo da idéia de aperfeiçoar a flauta doce.

A flauta doce é um instrumento praticamente sem dinâmica, ou seja, não consegue tocar forte nem com pouco volume. Denner pensava que se ele resolvesse esse problema, as pessoas iriam continuar a gostar da flauta doce. O fabricante pegou uma palheta de bambu, cortou a parte da frente do "bico" de uma flauta doce e colocou a palheta sobre o corte. Assim era inventado o chalumeau, que fornecia a dinâmica que Denner queria e já apresentava um som muito semelhante ao do clarinete. O público impressionou-se com o novo instrumento e, para frustração de Denner, a flauta doce decaiu ainda mais por causa do chalumeau, sua própria invenção,pois era considerado um instrumento completamente diferente, conhecido como chalumeau ou charamela Charamela soprano do séc XVII e charamela soprano atual.

As imperfeições sonoras dos primeiros clarinetes demasiadas estridentes no registro médio/agudo e sem vigorou clareza de afinação no registro grave (que tem precisamente o nome de chalumeau), comprometeram de início a sua aceitação por parte dos músicos. Era declaradamente inferior ao oboé e à flauta seus contemporâneos no que concerne ao timbre, afinação e agilidade. Somente em meados do século XVIII, no seio da reputada orquestra de Mannheim, o clarinete irá ver concretizadas as suas possibilidades como instrumento de grande expressividade - ainda assim, o seu uso era inicialmente especificado apenas como alternativo ao oboé ou à flauta. No espaço de algumas décadas, as transformações efetuadas no clarinete(entre as quais o alongamento da campânula e a adição de três chaves as duas pré-existentes) fizeram dele o instrumento que servia idealmente o tipo de sonoridade procurada pela orquestra de Mannheim, cuja fama decorre da exploração das gradações tímbricas e expressivas de maneira inaudita.

Construído com diversas afinações, e escolhido em função das resultantes diferenças de timbre e da tonalidade da obra a executar, porrazões de facilidade de dedilhação, o clarinete começa a ser usado pelas suas capacidades líricas (de assinalar a sua utilização nos andamentos lentos das sinfonias) e não apenas pelo caráter brilhante do seu registro médio (registro de clarinete, que também já recebeu a designação de clarino). A sua principal virtude reside no controle da dinâmica que lhe permite a obtenção, mais do que qualquer outro instrumento de sopro, de uma suavidade sonora, de qualidade eminentemente vocal, capaz das nuances mais subtis. Terá sido o que impressionou Mozart na visita que efetuou a Mannheim em 1778. Dois anos mais tarde, a partitura de Idomeneo incluiu nada menos do que quatro clarinetes, em Lá, Sib, Si e Dó, de apenas três chaves e desde aí, Mozart utiliza o instrumento intensivamente nas suas óperas, assegurando-lhe também um lugar de eleição na sua música de câmara, de que são representativos o Trio K. 498 e os Quintetos K. 452 e K. 581.

Em 1812 Ivan Muller apresentou um novo design para o clarinete ao Conservatório de Paris. O novo instrumento tinha 13 chaves e o modelo mais avançado desde o trabalho desenvolvido por Denner. Muller é considerado a segunda figura mais importante no desenvolvimento do clarinete. Mozart ficou ainda mais fascinado com o som do clarinete que agora podia tocar em todas as escalas, Já que poucos compositores clássicos o utilizaram nas suas músicas ,dedicou-lhe várias peças, sendo as mais famosas o Concerto em Lá maior para clarinete e orquestra e o Quinteto em Lá maior para clarinete e cordas.

A sua escrita para o clarinete, favorecendo a beleza do registro grave do instrumento e um equilíbrio e fluência em toda a sua ampla tessitura, faz-nos pensar na escrita vocal e não é difícil imaginar tratar-se por vezes de uma voz de soprano. O uso do clarinete obbligato como dramatis persona em La Clemenza di Tito encontra-se na linha de uma tradição vienense do início do séc. XVIII, na qual se inscrevem múltiplas óperas evidenciando uma relação estreita entre a voz e o chalumeau que, tomado como objeto significante, é associado a sentimentos específicos de caráter amoroso ou pastoral.

De resto, quando se mencionam as qualidades vocais inerentes à execução e às particularidades sonoras do instrumento, ontem como hoje, as referências abundam. Veja-se o caso de Lindsay Willman, instrumentista inglês muito aclamado na primeira metade do séc. XIX, sobretudo na execução de partes obbligati incluídas no acompanhamento de árias vocais, que colaborava frequentemente com cantoras como Angelica Catalani, Henriette Sontag, Maria Malibran e Eliza Salmon. Desta última, diz-se que «a sua voz era harmoniosa e sonora como o clarinete, e quando Willman a acompanhava tornava-se difícil distinguir a voz do instrumento». O exemplo é paradigmático da influência mútua operada nos dois intérpretes, pode fazer-nos compreender por que se faz referência ao bel canto quando se fala da escola inglesa de clarinete e, sobretudo, permite-nos confirmar a riqueza em constituintes harmônicos do clarinete, sem par junto dos outros instrumentos de sopro, que lhe confere vantagem na tessitura (três oitavas e uma sexta) e na obtenção de uma sonoridade compacta.

Ao longo do séc. XIX, o talento de vários virtuosos foi decisivo para o desenvolvimento técnico do clarinete e para o aprofundamento por parte dos compositores de uma escrita idiomática própria que, pelas suas particularidades expressivas, ficou associada ao movimento romântico.Entre 1839 e 1843, H. Klosé e August Buffet (fundador da Buffet Crampon) adaptaram a mecânica do clarinete ao sistema de Teodore Boehm ( flauta) de colocação dos dedos e anéis móveis nomeadamente pela adição também de mais chaves, estenderam mais ainda a tessitura do instrumento. Apesar deste ser o sistema habitualmente utilizado hoje em dia, subsistem ainda outros sistemas como evolução do sistema Mueller como é o caso dos sistema “Albert” e “Auler” ,usados, sobretudo na Alemanha, mas pouco a pouco estão sendo substituídos pelo sistema de Boehm, por não ter cruzamento de dedos.

Evolução do Sistema de Chaves
A evolução da charamela para o clarinete, da responsabilidade de Johann Denner, traduziu-se na criação de um instrumento que na época (ap. 1690) não tinha mais do que 7 buracos e 2 chaves “operando” num curtíssimo registro tímbrico de 12ª.

Por volta de 1700, J. Denner colocou as 2 chaves de tal modo que uma delas (chamada “chave de registro”) possibilitou o aumento da tessitura do clarinete para aproximadamente 3 oitavas.

Em 1710, Jacob Denner, filho de Johannn, efetuou várias experiências na colocação das chaves descobrindo posições que permitiam atingir registros mais agudos e uma melhor afinação.

Por volta de 1740 foi introduzida a terceira chave e em 1778 o clarinete standard tinha já 5 chaves. Não obstante, nesta altura o clarinete era, sobretudo tocado por oboístas que tocavam ambos os instrumentos (oboé e clarinete) não havendo a tradição de um instrumentista se dedicar em exclusivo ao clarinete.

É curioso notar que foi para o clarinete de 5 chaves que Mozart escreveu o seu Concerto e Quinteto. É extraordinário imaginar a agilidade e virtuosismo do instrumentista a quem na altura coube a missão de executar tais obras, considerando a complexidade dinâmica, tímbrica e cromática das mesmas, por um lado, e as limitações técnicas de um instrumento com apenas 5 chaves.

O clarinete de 5 chaves manteve-se como standard até princípios do séc. 19, altura em que Ivan Muller introduziu lhe importantes modificações, de tal ordem que é por muitos considerados como o verdadeiro pai do clarinete moderno.

Ivan Muller, nascido na Rússia, fixou-se por volta de 1809 em Paris, cidade onde se situavam os principais fabricantes de instrumentos em madeira da época. Começa então a introduzir alterações na construção do clarinete, desenvolvendo intrincados mecanismos de chaves, permitindo combinações técnicas que de outro modo só seriam possíveis com recurso a dedos suplementares...

Muller apresentou o seu “invento” (um clarinete com 13 chaves) ao Conservatório de Música de Paris em 1813.... E foi chumbado redondamente. Tal rejeição não derivou diretamente do sistema apresentado por Muller, mas sim do entendimento que os mestres da época partilhavam de que este tipo de clarinete, com afinação em Sib poderia acabar com os outros tipos de clarinete então existentes (com diferentes afinações) pondo em causa a variedade tímbrica e recursiva a que tais diferentes clarinetes se prestavam.

O passo seguinte da evolução do clarinete foi à adaptação ao clarinete do sistema Boehm.

Tal como se referiu anteriormente, a introdução e estandardização do sistema Boehm decorreu a partir da adaptação do sistema usado na flauta (cuja criação é atribuída a Theobald Boehm).

A idéia básica deste sistema é que a colocação dos orifícios do instrumento é feita em função de critérios acústicos mais do que em critérios de conforto manual (os orifícios dos clarinetes não Boehm eram projetados para facilitar o manuseamento mecânico das mãos). Desta forma, o recurso às chaves para abertura e oclusão dos orifícios reveste-se de particular importância esbatendo assim as dificuldades mecânicas. O clarinete boehm é hoje em dia composto por 17 chaves.

Este sistema foi, entretanto aplicado não apenas ao clarinete, mas também ao oboé e saxofone. Um sistema híbrido é ainda utilizado no fagote.

O sistema Albert, como já se disse, ainda é usado em algumas regiões da Europa e Estados Unidos. A principal limitação deste sistema de colocação dos dedos é que “obriga”, em determinadas circunstâncias, ao cruzamento de dedos (dificuldade que o sistema Boehm ultrapassou) o que se torna particularmente limitante em passagens mais difíceis que exijam destreza de dedos.

O sistema Auler (pronuncia-se “oiler”) por seu turno, também requer o cruzamento de dedos e difere bastante do sistema Boehm. A sua principal particularidade reside na utilização de chaves com “rolamentos” semelhantes às que se encontram nos saxofones. Este tipo de clarinete apresenta um conjunto de 22 chaves e é usado, sobretudo na Alemanha.


Prof. Eduardo Weidner
Fonte: explicasax.com.br

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

DOBRADO: UMA MÚSICA GENUINAMENTE BRASILEIRA

O dobrado é o estilo musical que desde o seu surgimento até os dias atuais mais identifica as bandas musicais brasileiras. Desta forma, nada mais justo e pertinente de que abordar o seu processo histórico, sendo primordial para isso a busca de suas origens, seu desenvolvimento e constituição como gênero musical mais tradicional das bandas de música nacionais.
Pode-se dizer que as origens do dobrado encontram-se nas incursões militares da antiguidade, mais especificamente nas cadências utilizadas pela infantaria e marcadas por tambores e instrumentos de sopro rudimentares que com o passar do tempo foram sendo desenvolvidos e aperfeiçoados até formarem as bandas militares. Com efeito, é possível perceber basicamente três tipos de cadência para as diversas situações táticas de deslocamentos militares da infantaria, são eles:

"o passo de estrada, que é uma marcha lenta e pesada, usual nos longos percursos; o passo de parada ou passo ordinário, que é uma marcha bem mais rápida, com andamento próximo ao dobro do anterior, utilizada em desfiles, continências e paradas militares; e o passo acelerado, marcha de ataque para a tomada de pontos do terreno ou na carga sobre as linhas inimigas." (ROCHA, p.08)

Além disso, as bandas militares passaram a sentir a necessidade de aumentar as composições, isso devido ao intuito de estender a duração da música militar para atender um maior percurso no deslocamento das tropas sem que tivesse que reiniciar a mesma marcha em um pequeno espaço percorrido. Assim sendo, a marcha militar (música) “foi alterada com uma dobra no numero de compassos de 16 para 32 compassos dentro de cada parte que compõem a forma tradicional deste tipo de composição” (SOUZA, 2009).

Com o passar dos anos o “passo ordinário” conhecido também por “passo dobrado” passou a designar, além da marcha (andamento) as marchas (composições) das paradas, continências e desfiles, surgindo daí os gêneros musicais “ pás-redoublé” francês, “pasodoble” espanhol e a marcha militar de “passo dobrado” em Portugal, que é ancestral direta do dobrado brasileiro. (DANTAS, apud SOUZA, 2009).

No Brasil, o “passo dobrado” europeu passou a ser executado em todo território nacional durante o século XIX, recebendo influências de vários outros gêneros musicais assim como de outras formas e especificidades culturais do país. Dessa maneira, o “passo dobrado” no país foi se distanciando cada vez mais da caracterização original do estilo europeu e foi se consolidando paulatinamente como uma marcha brasileira diferente da européia e norte-americana, com características próprias e recebe a denominação de “dobrado” o qual nesse momento já possuía “características melódicas, harmônicas, formais e contrapontísticas que o distinguiam de outros gêneros musicais, permitindo assim a sua inclusão no rol dos gêneros musicais genuinamente brasileiros”. (ROCHA, p.09)

E assim se deu o processo histórico do Dobrado Brasileiro, que hoje encanta e abrilhanta as festividades cívico-religiosas e concertos de bandas de música em todo país.


Por: Antônio Ferreira Dantas Júnior (Junhão)

REFERÊNCIAS:
  • http://maestrorochasousa.blogspot.com/2009/05/o-dobrado-1.html
  • ROCHA. José Roberto Franco da. O Dobrado: Breve Estudo de um Gênero Musical Brasileiro. Artigo. Retirando em www.liraserranegra.org.br/dobrado.pdf


sábado, 31 de outubro de 2009

ENTREVISTA COM IVACY SIMÕES, APRESENTADOR DO PROGRAMA DOMINGO É DIA DE BANDA











A equipe do Programa Coreto esteve na cidade de Acari/RN, onde se encontrava em companhia do músico acariense “Gata” (ouvinte assíduo do Programa Coreto), o Sr. Ivacy Simões, apresentador do programa “Domingo é Dia de Banda” na cidade de Itabirito/MG e coordenador do projeto com o mesmo nome de retretas realizadas todo o último domingo de cada mês na referida cidade mineira.


Coreto: Como surgiu a idéia de criar um programa voltado para bandas de música?

Ivacy Simões: Minas Gerais é uma região, tradicional em bandas de música, é o estado onde possui o maior número de bandas de música de todo o Brasil. Itabirito não é diferente. Em Itabirito e região o povo é voltado pra banda de música. Toda família tem alguém que já tocou em banda de música; toda família tem uma pessoa que já pertenceu a uma diretoria de banda. Então passou pela minha cabeça na época, que um programa dessa estirpe além de ajudar as bandas de música, além de auxiliar, divulgar, ia ter uma audiência muito grande. E foi isso que nós fizemos. Nós temos em nossa cidade, duas bandas de música: uma centenária que é a corporação musical Santa Cecília e a outra, quase centenária, já está com mais de oitenta anos, que é a corporação musical União Itabilitense. São duas bandas assim da melhor qualidade, são bandas respeitadas no estado de Minas Gerais, daí surgiu a idéia de se fazer o programa, nós tivemos uma aceitação muito grande, e hoje, sem falsa modéstia e sem nenhuma modéstia, é um dos programas de maior audiência da cidade de Itabirito e de toda a região porque nós temos além de Itabirito, nós temos ali próximo, Ouro Preto, Mariano, Cachoeira do Campo, Passagem de Mariana que são cidades também voltadas pra banda de música, e possui bandas de música da maior qualidade.


Coreto: Quanto ao público e a audiência do seu programa?

Ivacy Simões: Eu devo confessar que o público adulto, vamos dizer assim, da melhor idade, são fanáticos, mas como as bandas de música hoje não estão tocando só... e a gente briga muita lá na nossa região, pra que as bandas aqui... eu noto até o Seridó por exemplo, eu recebi um CD, do meu amigo “Gata”, tem muitos dobrados, as bandas da nossa região lá, se deixar, elas vão deixando de tocar dobrados e marchas, então a gente faz questão, obriga... nos encontros que nós fazemos lá, as bandas são obrigadas a tocar um determinado número de dobrados, porque o povo gosta, e com isso também ela agrada aos jovens, as pessoas de menos idade, e não agradar só os adultos, agrada também as crianças, os jovens e porque não, toda a cidade que gosta de música de banda.


Coreto: Quanto a interação entre o programa e os músicos e mestres da bandas de música?

Ivacy Simões: Olha, cresceu e muito! Além do programa domingo é dia de banda, que vai ao ar todos os domingos lá na nossa cidade, de 09:00 até 10:30, nós temos um outro projeto com o mesmo nome, em que as bandas se apresentam em praça pública, cada último domingo de cada mês a banda de Itabirito recebe a visita de uma banda de uma cidade vizinha, ou até mais longe, a prefeitura arca com todas as despesas (a prefeitura acatou o projeto) por que tem uma audiência muito grande também, o povo prestigia, e isso para os maestros é muito bom, e para os músicos. Eu comparo a banda de música com um time de futebol. Você vai apresentar, fazer um jogo, você tem que ter público para assistir. Lá uns tempos atrás, quando em Itabirito se falava assim: vai ter uma retreta de uma banda, tinha lá alguns gatos pingados, a verdade é essa. Hoje quando se fala que a banda vai pra praça, ou vai ter um encontro de bandas, é 500, 600 pessoas tranquilamente, assistindo, prestigiando, apoiando... e isso dá ao músico um entusiasmo muito grande, porque o artista gosta de ser visto e ser aplaudido.

Coreto: Qual a sua opinião sobre o papel e atuação das bandas de música nos dias de hoje?

Ivacy Simões: Como eu disse... perdeu muito o papel da finalidade de banda de música. Há uns tempos atrás as bandas de música participava, acho só de procissão. Hoje mudou bastante, hoje a banda já participa de outros eventos: procissão ou mesmo outros eventos religiosos praticamente das igrejas. Hoje eu vejo a banda participando de muitos shows, de muitas festas... Lá na nossa região mesmo se tem uma festa, uma inauguração, a banda tem que estar presente, e está presente. Lá... é bom lembrar (isso aí eu não sei aqui da região) mas a prefeitura, os prefeitos que tem passado lá na nossa cidade tem dado um apoio muito grande as bandas, elas recebem uma subvenção muito boa, e além de receber essa subvenção, a prefeitura patrocina quando necessário os ônibus pra que elas vão visitar outras cidades, fazer apresentação fora da nossa cidade. Então os músicos têm interesse, a direção da banda tem interesse, a cidade tem interesse, e com isso, itabirito tem recebido muito da parte de arte, porque as bandas são prestigiadas.

Coreto: Para você, qual a importância do programa “Domingo é Dia de Banda” para a continuidade e valorização das bandas de música?

Ivacy Simões: O programa que a gente faz, e acredito que o que você faz, dá um destaque pra banda de música. Hoje são poucas as rádios do Brasil (eu lembro aqui a rádio bandeirantes do Rio de Janeiro, com Zair Cançado, todas as sextas-feiras às 22:00 horas) que transmitem programas voltados para o público de banda de música. O nosso programa divulga as bandas, e com isso, elas se tornam mais populares, e hoje a aceitação já é muito mais do que há alguns tempos atrás é que a banda estava um pouco esquecida abandonada. Na nossa cidade, depois do programa nosso, da divulgação das bandas, depois do projeto, as bandas ganharam assim uma popularidade muito grande, muitos jovens passaram a fazer parte da banda, hoje as bandas são totalmente reformadas e reformuladas na nossa cidade, com muitos jovens, por que ao jovem interessa... e importante: grandes músicos tem saído depois para grupos musicais, pra conjuntos musicais, e que eu também brigo muito lá, pra que não chamem de banda um grupinho de 4, 5 pessoas aí, que forma um grupo, que na verdade é um grupo, e chamam de banda, isso não é banda, banda é um grupo de 15, 20 pessoas que tocam, inclusive andando, eu falo muito lá no nosso programa. Às Vezes dizem: vai ter um baile com banda e tal. Que banda que é: tem um teclado, tem um piston, um saxofone , mas isso aí não é banda, isso é um grupo musical, isto é um conjunto. Então a gente briga muito lá para manter o nome. Banda é banda, grupo musical, conjunto musical. Vamos nessa aí também e outra coisa, e as bandas também não esquecerem de tocar também, não esquecerem dos dobrados, marchas, valsas são tradicionais de banda de música.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

VALSA

É um tipo de dança clássica, embora sua origem tenha sido campestre. A valsa surgiu na Áustria e na Alemanha, no inicio do século XIX inspirada em danças como o minueto (dança na qual os pares dançavam separados) e o laendler (dança campestre, na Alemanha). Importante pontuar que a valsa surgiu primeiramente como uma dança, sendo posteriores as composições das valsas como música.

A palavra “valsa” tem origem na palavra alemã “waltzen”, que traduzida quer dizer “dar voltas”.
Diz-se que a valsa é uma dança de compasso ternário, ou seja, tem três tempos, sendo o primeiro tempo forte e os demais fracos.

A princípio, a valsa era vista como vulgar, e até imoral, pelas classes sociais mais altas, e pela aristrocacia. Em alguns países europeus (na corte alemã e partes da Inglaterra) a valsa foi proibida, tamanho era o preconceito. Nas camadas populares, a dança ganhava cada vez mais adeptos.

Quando Napoleão Bonaparte foi derrotado, em 1815, foi realizado na Áustria o Congresso de Viena, que reuniu a nobreza e os políticos de diversos países, com o objetivo de restabelecer os laços entre os países europeus. Nessa ocasião, o músico austríaco Sigismund Neukomm, introduziu a valsa entre a nata da sociedade européia, o que garantiu, a partir de então, a presença desse tipo de dança nos palácios e cortes em todo o mundo. Surgiram então algumas diferenças entre a valsa original, a vienense, e outras que nela se originaram, como a valsa inglesa.

O mesmo músico, Sigismund Neukomm, veio ao Brasil em 1816, para ser professor de D. Pedro I, ao qual ensinou composição e harmonia, e da Princesa Leopoldina, a quem ensinou piano. A valsa vienense, introduzida então no Brasil, fez sucesso não só entre a nobreza, mas em todas as classes sociais, dando origem, inclusive, a outros ritmos, como as populares serestas. Historiadores encontraram no diário de Neukomm, indícios de que as primeiras valsas compostas no Brasil foram de autoria de D. Pedro I.

O maior compositor de valsas, considerado o “rei das valsas” foi o vienense Johann Strauss II. Dentre suas obras primas, destaca-se o Danúbio Azul. Outros músicos de renome internacional, como Weber, Chopin, Ravel e Brahms têm valsas em seus repertórios.

A valsa é encontrada no repertório de alguns compositores brasileiros, como Villa Lobos, Carlos Gomes, Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga, entre outros.

Ainda hoje, no Brasil, dançar valsa é uma tradição insubstituível em bailes de debutantes, formaturas e casamentos.

Fonte: http://www.infoescola.com/artes/valsa/

domingo, 18 de outubro de 2009

BANDA DE CARNAÚBA DOS DANTAS COMEMORA 30 ANOS DE FUNDAÇÃO









A banda musical de Carnaúba dos Dantas realizou ontem, dia 17 de outubro de 2009 uma apresentação em alusão aos 30 anos de fundação da então “Banda de Música Governandor Tarcísio Maia”, atual “Filarmônica 11 de Dezembro”.

O diferencial desse evento foi o fato de que os músicos instrumentistas que se apresentaram foram justamente os veteranos e veteranas que fizeram parte da primeira formação do referido grupo musical no ano de 1979.

Durante 2 meses, os integrantes reuniram-se e voltaram a praticar seus respectivos instrumentos, executando aquelas melodias e harmonias que outrora animavam e abrilhantavam as festividades cívico-religiosas de Carnaúba dos Dantas e região do Seridó.

Após o período de preparação, mas precisamente ontem, a antiga banda de música saiu às ruas de Carnaúba ao som do dobrado do saudoso maestro Felinto Lúcio Dantas “Estréia”. O desfile emocionou àqueles que saíam às suas calçadas e varandas com lágrimas nos olhos para ver a banda passar.

O desfilou seguiu em direção a Igreja Matriz de São José, na qual haveria a novena da festa de Nossa Senhora das Vitórias.

Após a novena, sob a batuta do maestro Francisco Rafael Dantas “França” (Antigo maestro da banda carnaubense) e Carlos Guedes (neto de Felinto Lúcio e também ex maestro da filarmônica) a banda realizou uma belíssima retreta. No repertório estavam os dobrados Estréia e 11 de Dezembro, o maxixe Chora Meu Baixo e a Valsa Royal Cinema.

O evento também homenageou os mestres falecidos Tonheca Dantas e Felinto Lúcio Dantas e os músicos também falecidos, entre eles “Zé Irinho”.

Ao final da apresentação o mestre França declamou uma poesia em homenagem a Carnaúba dos Dantas, cidade conhecida como “Terra da Música”.

DO BLOG: Parabéns a idéia e iniciativa de Luciano Pacelli, Joelson Idevando, ao maestro Márcio Dantas, ao Sec. de Cultura Municipal de Carnaúba dos Dantas João da Banda, a Carlos Guedes e aos músicos de ontem e de hoje da Filarmônica 11 de Dezembro, antiga Banda de Música Governador Tarcísio Maia. Através desse sentimento de nostalgia que permeou as apresentações da antiga agremiação musical vocês conseguiram transmitir os benefícios que a música e a união dos músicos, antigos e atuais podem produzir e proporcionar.

sábado, 17 de outubro de 2009

"A BANDA"

Fervilha sobre as calçadas
uma grande multidão...
... que a banda já vem chegando,
com seus feitiços de som...

Quem manda e desmanda a banda
é a batuta que comanda...
De repente,
atira um gesto...
Risca o ar...
Brota a magia...
E a explosão da sinfonia
salta das mãos do maestro!

Na rua, o povo apinhado
farfalha aplausos,
e a banda surge, tocando um dobrado!

Pare tudo o que trabalhe
pra ver e ouvir a retreta!
Pare a costura na agulha!
No papel, pare a caneta!
Pedreiro, largue a argamassa!
Não faça pão, “seu” padeiro!
Pare de riscar a terra
o ancinho do jardineiro...
Que não se escute na tábua,
o prego do carpinteiro...
Que as nuvens façam feriado,
suspendendo o chuvisqueiro...
Que haja um rosto na vidraça,
porque a banda, agora, passa
num festim alvissareiro!...
Vem a banda em sarabanda,
com metais enrondilhados
nos pescoços dos soldados...

Deus, tirando o sol do armário,
jogou-o dentro da amplidão...
Neste dia extrordinário,
vêm coturnos pontilhando
com seus compassos binários,
a partitura do chão:

“Bate passo e contrapasso,
vem batendo em marcação...
Bate pé, mais outro pé...
Firme, bate o pé no chão...
Pé direito... Pé esquerdo...
(um irmão com outro irmão)
têm batidas de martelo,
têm pancadas de pilão...
Um e dois – levanta a perna...
Três e quatro – a perna abaixa...
E os coturnos vêm pisando,
rechinando,
pisoteando
tudo o que no chão se acha...
Pedregulho solta arrulho
do solado de borracha...
Só o milico da caserna
ficou fora desta marcha...”

Ouve a banda como é bela!...
De cada nota que solta,
salta pra o céu uma estrela!


Que as casas abram as portas!
Que se escancarem janelas!
Que o silêncio atrás das bocas
ponha trancas e tramelas!
E caia, em jorro imortal,
um dilúvio musical
de marchas, maxixes, frevos,
dobrados e tarantelas!...

Quem tem olhos lance olhares
por sobre a banda que vem
desfraldando pelos ares
a intensa polifonia
nas cores da sinfonia,
que o som tem cores, também!

Vem rosnando o BOMBARDÃO
num redondo som bonacho,
e o ronco pesa tão grosso
que o BOMBARDÃO ronca baixo.
Neste embrulho de barulho,
enrolado em alvoroço,
vem com a voz oca de poço,
pondo quase o mundo abaixo...

Toda a família dos sopros
um viveiro traz em si:
vem araponga, sabiá,
cotovia, tangará,
pintassilgo, rouxinol,
seriema, curiango,
saracura, bem-te-vi...
Num bailado de asas, fogem
em corrupios de escarcéu...
Esse som que a banda solta
manda os pássaros de volta
que vão cantar pendurados
lá nos poleiros do céu...

Vem fungando o CONTRABAIXO...
Funga, funga que se racha...
Embuchado no seu bucho,
coaxa o sapo de um riacho.
Sobe a banda rua acima...
Desce a banda a rua abaixo...
CONTRABAIXO vem atrás;
Dona TUBA vem ao lado...
Dona TUBA se estrebucha,
arfa o peito, arqueja, murcha
e uma queixa desembucha
num clamor apaixonado...
É que o “senhor” CONTRABAIXO
não quer ser seu namorado.

Vem que vem o BOMBARDINO,
bafejando o bombardeio
das baforadas de um hino,
que o hino, criando asas,
quanto mais toca, mais voa
sobre o povo, sobre as casas,
sobre as árvores das praças,
sobre as águas da lagoa...
Pela voz do BOMBARDINO,
foge um anjo que abençoa...
Deixa a sorte de ser má,
porque a música é tão boa.

Já o TROMBONE espicha o beiço
e cospe pelos metais
o som que alimenta a fome
dos ouvidos, e o TROMBONE
se emociona e toca mais...

Vem desfiando fios de brisa
a garganta cristalina
da CLARINETA que, quanto
mais canta, mais ilumina
de espelhos relampejantes
que se soltam saltitantes
da aguda voz de menina...

A TROMPA, encaracolada,
em suas carnes de metal,
vem desenrolando da alma
um novelo de gemidos
que gemem tão parecidos
com essa orquestra de soluços
que chora em prantos avulsos
a mulher sentimental.

Sinuoso SAXOFONE,
de corpo serpeando um “S”,
canta alto e comovido,
que a música mais parece
que não é música, é prece
que ele reza em seu mugido...

Treme pedra, treme poeira,
treme pó no preto asfalto...
Tremem trinos na zoeira
do SAX-TENOR trinando
em dueto com o SAX-ALTO...
No mastro, treme a BANDEIRA,
BRASILMENTE,
BRASILEIRA;
e, em tremenda tremedeira,
num tremor de reverência,
até o céu faz continência,
fardado de azul-cobalto...

A banda é a voz da verdade,
e a verdade não tem véus...
Quando a banda está tocando,
não é a banda... É Deus cantando
pelos teatros dos céus...

PRATOS vêm batendo guisos
em gargalhadas de risos
que explodem como cristais,
saltando estrelas quebradas
dos cacos que dão risadas
de metais contra metais...

Saltam chispas de batidas
nas batidas do TAROL
que parece um sol pequeno
embaixo do próprio sol.
Mas, quando o TAROL troveja,
se disfarça de bandeja
e obsequeia algazarras
de um campo de futebol...

Surram-se peles de touros
esticadas nos tambores,
berrando estrondo de dores,
no brete estreito da rua...
De repente, arranca o vento
tanta luz do firmamento
que joga, em cada instrumento,
a prata branca da lua...


Vem o BUMBO ritmando
resmungos no vozeirão,
como se fossem conselhos
de um velho sábio tão bom
que traz, nas rugas da voz,
rugas de papel crepom;
e, das pancadas do BUMBO,
saltam tosses de trovão...

Descem pancadas no lombo
do SURDO, e o SURDO, em terror,
sentindo tal desagravo,
apanha feito um escravo,
tendo seu corpo algemado
na senzala de um tambor.

Com grande roupão de sombras
a tarde então se encobriu...
A banda já foi embora...
O povo também sumiu...

E a velha noite, enrolada
num fofo xale de estrelas,
rezando orações de vento,
de tão cansada, dormiu!!!


Ítalo Zailu Gatto

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

FILARMÔNICA 11 DE DEZEMBRO DA CIDADE DE CARNAÚBA DOS DANTAS/RN



A Filarmônica Onze de Dezembro foi criada no dia 28 de julho de 2001, no ato de fundação da Associação Musical e Cultural Onze de Dezembro. Sua origem, porém, remonta ao século XIX quando José Venâncio Dantas fundou a primeira escola de música e daí foram revelados talentos que romperam as fronteiras da nossa região, do nosso estado e até do nosso país.

No ano de 1978, o maestro Felinto Lúcio Dantas, o bispo Dom José Adelino Dantas e a Prefeitura Municipal de Carnaúba dos Santas, se uniram e conseguiram, junto ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, o instrumental para a criação de uma Escola e a formação de uma Banda de Música. Inicialmente foi contratado o Maestro Francisco das Chagas Silva (Pinta), da cidade de Acari, ex-aluno do mestre Felinto Lúcio, e no dia 19 de março do ano de 1979, por ocasião da festa do padroeiro São José, a banda de música Governador Tarcísio Maia, para encanto e orgulho de todos os carnaubenses, estreou, tocando músicas de compositores da terra. Até o ano de 1994, quando se aposentou, o mestre Pinta, manteve a escola de música, ensaiava e regia a banda.

Entre os anos de 1994 e 1996, assumiu a regência o músico Carlos Guedes Câmara. De 1997 até o ano 2000, a regência esteve sob o comando do músico e compositor Francisco Rafael Dantas (França). Em 2001, assumiu o professor e compositor Márcio Dantas de Medeiros, que permanece até os dias atuais.

Utilizando instrumentos musicais próprios, adquiridos com recursos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da FUNARTE, e também por componentes que adquiriram seus próprios instrumentos, a Associação Musical e Cultural Onze de Dezembro, desenvolve seus trabalhos, voluntariamente, através de uma Escola de Música e Filarmônica.

Buscando Adquirir e compartilhar conhecimentos, e descobrir valores próprios e talentos, procurando o reconhecimento cultural em nossa região, estado e país, fazendo com que nossa cidade, através da arte musical, torne-se um centro formador de cultura popular, a Filarmônica Onze de Dezembro se faz presente em eventos sociais, cívicos, escolares e religiosos da cidade e de cidades vizinhas, tendo sido vencedora e conquistado as primeiras colocações, em diversos concursos de bandas, realizados no nosso estado e em estados vizinhos.

domingo, 11 de outubro de 2009

O FREVO

Imagem: marcelotas.blog.uol.com.br/.../frevo_abanda.jpg


O Frevo surgiu em Pernambuco, entre o fim do século XIX e o início do século XX, primeiramente como um ritmo carnavalesco, nascido dos maxixes, dobrados, polcas e marchinhas de carnaval. O frevo originalmente não tem letra, é só tocado por uma banda.

Do ritmo mais rápido, das bandas de músicas marciais, surgiu a dança do frevo, nos desfiles antigos de carnaval, quando jogadores de capoeira abriam o caminho para os músicos passarem pela multidão. O frevo mistura passos de ballet, capoeira e cossacos.

O nome frevo tem origem na palavra ferver, que na pronúncia popular virou “frever”. O significado é o mesmo de fervura, ou seja, agitação, rebuliço. O termo foi usado pela primeira vez em 1908, em um Jornal chamado Pequeno.

Embora arraste multidões dançando e divertindo-se, o frevo é uma dança complexa, de passos complicados, muita improvisação, que misturam rodopios, gingados, passos miúdos, malabarismos entre outros. Os dançarinos utilizam ainda uma sombrinha colorida (aberta) enquanto dançam, demonstrando grande técnica.

Existem mais de cem passos conhecidos do frevo, sendo os mais famosos: Locomotiva, Dobradiça, Fogareiro, Capoeira, Tesoura, Mola, Ferrolho e Parafuso, entre outros.

Nos anos 30, o frevo foi dividido em três ritmos:

* Frevo-de-Rua – É o frevo completamente instrumental, feito exclusivamente para dançar. A música do Frevo-de-Rua pode ter: notas agudas (frevo-coqueiro), predominância de pistões e trombones (frevo-abafo) e introdução de semicolcheias (frevo-ventania).

* Frevo-de-Bloco – Originada das serenatas realizadas paralelamente ao carnaval, no início do século. A orquestra de Pau e Corda é composta de banjos, violões, cavaquinhos e recentemente vem sendo utilizado também o clarinete.

* Frevo-Canção – Frevo mais lento, com algumas semelhanças em relação à marchinha carioca. É composto por uma introdução e uma parte cantada, terminando ou começando com um refrão.
O carnaval de Olinda é o carnaval do frevo, que pode ser considerado o carnaval mais popular do país, embora não seja o maior. Isso porque no carnaval do frevo não existem escolas de samba, sambas-enredo ou trios elétricos, ou seja, o carnaval é realizado pelo povo, pelas famílias que saem nas ruas para a folia.

http://www.infoescola.com/danca/frevo/

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

SÉRIE - MEU INTRUMENTO MUSICAL - SAXOFONE



Ao contrário da maioria dos instrumentos populares hoje em dia, que para chegar ao seus formatos atuais foram evoluídos de instrumentos mais antigos, o saxofone foi um instrumento inventado. O pai do saxofone foi o belga Antonie Joseph Sax, mais conhecido pela alcunha de Adolphe Sax. Filho de um fabricante de instrumentos musicais, Adolphe Sax aos 25 anos foi morar em Paris, e começou a trabalhar no projeto de novos instrumentos. Ao adaptar uma boquilha semelhante à do clarinete a um oficleide, Sax teve a idéia de criar o saxofone. Não se sabe a data exata da criação do instrumento. A patente foi obtida por Sax em 28 de junho de 1846. Mesmo tendo sido lançado há muitos anos, os modelos e formatos continuam semelhantes aos criados por Adolphe Sax , sendo utilizado e admirado o formato original.


Embora seja feito de metal, o saxofone pertence à família das madeiras, pois seu som é emitido a partir da vibração de uma palheta de madeira que fica fixada à boquilha.


Por ter um som único, com propriedades tanto dos instrumentos de madeira, quanto dos de metal, o saxofone logo foi adotado por muitos músicos. O sax tem a capacidade de ter o poder de execução de instrumentos como o clarinete, ao mesmo tempo que tem uma potência sonora quase tão grande quanto à das cornetas. Além disso seu timbre é um dos que mais se assemelham ao da voz humana.


Construção
O saxofone é um instrumento fabricado em metal, geralmente latão, com uma mecânica semelhante à do clarinete e à da flauta. É composto basicamente por um tubo cônico com 26 orifícios que têm as aberturas controladas por 23 chaves vedadas com sapatilhas, geralmente de couro (nas versões mais modernas), e uma boquilha onde se acopla uma palheta, geralmente de bambu (instrumento de palheta simples).



Boquilha
A boquilha é a peça que se encaixa na ponta do saxofone e na qual é fixada a palheta. Seu funcionamento é semelhante ao de um apito, que gera as vibrações que irão percorrer o corpo do instrumento e as quais se tornarão o som típico do saxofone. As boquilhas podem ser fabricadas dos mais diversos materiais: massa plástica, metais, acrílico, madeira, vidro e até mesmo osso, contudo as de massa plásticas e de metais são as mais utilizadas.


O formato das boquilhas também pode variar bastante, tanto externamente quanto internamente. Alterações nos formatos implicam alterações significativas do som produzido, e devido a este fato, a escolha da boquilha é uma decisão muito pessoal para cada saxofonista. Não existe um padrão entre as fábricas. Grosso modo, duas medidas internas são definidas: a altura da abertura e a sua profundidade. Quanto maior for a abertura e menor a profundidade, mais estridente será o som produzido, já o contrário resulta num som abafado e pequeno.

A palheta
A palheta está para o saxofone assim como a corda está para o violão. Ela é a responsável pela emissão do som pelo instrumento. Ao soprarmos a boquilha é gerada uma coluna de ar que faz vibrar a palheta, produzindo o som.

As palhetas são fabricadas com madeira, geralmente cana ou bambu, existindo porém palhetas sintéticas criadas pela engenharia moderna. Existem numerações para determinar o nível de dureza de uma palheta, mas esta numeração não é padronizada, varia de fabricante para fabricante. Quanto mais dura é a palheta, maior é o esforço para a emissão da nota, contudo menor é o esforço para manter o controle da afinação.

Os saxofones são instrumentos transpositores, ou seja, a nota escrita não é a mesma nota que ouvimos (som real ou nota de efeito). Assim, para podermos ouvir uma nota equivalente ao dó de um piano é necessário escrever notas diferentes dependendo em qual tonalidade o saxofone é armado. A família dos saxofones mais utilizada atualmente é composta por:

* Soprano, armado em Si♭
* Alto ou contralto, em Mi♭
* Tenor, em Si♭
* Barítono, em Mi♭

Há porém outros modelos mais raros ou que foram caindo em desuso, por exemplo

* Sopranino, em Fá ou Mi♭
* Baixo, em Si♭
* Contrabaixo, em Mi♭
* Soprano, em Dó (não transpositor)
* Mezzo-soprano, em Fá
* C "Melody", em Dó (transpositor à oitava)
* Baritono, em Mi♭
* Sub-contrabaixo, em Si♭
* Contrabaixo(Tubax), em Mi♭
* Sub-contrabaixo (Tubax), em Si♭

Do menor para o maior temos: Sopranino, Soprano, Alto (ou Contralto), “C” Melody (Tenor em dó), Tenor, Barítono, Baixo e Contrabaixo.

Duas características comuns à família dos saxofones são o sistema de digitação e a escrita. A diferença básica entre os saxofones é o tamanho: o tubo pode variar de centímetros, como no sopranino, a vários metros, como no contra-baixo.
[editar] Fabricantes

Os maiores fabricantes de saxofones no mundo são Buffet Crampon, Keilwerth, Leblanc (Vito), Roland (Jupiter), Selmer, Conn, King, Buescher, Martin, Yamaha, Michael e Yanagisawa, J’Elle Stainer. Palhetas e boquilhas Vandoren. Temos também a fabricante brasileira de instrumentos musicais Weril.

Desses, um dos mais respeitados pelos saxofonistas é a companhia francesa Selmer Company, que conquistou a preferência de grandes saxofonistas como John Coltrane, que celebrizou o tenor modelo Mark VI, e Coleman Hawkins. Também podemos citar alguns modelos como os Conn New Wonder, Conn Lady Face, Conn NAked LAdy, King Super20, King Zephyr, Buescher Big B, Buescher Top Hat and Cane, MArtin HAndcraft entre outros.

Dos fabricantes orientais, o destaque é o Yanagisawa e Yamaha. Existe atualmente diversos fabricantes chineses, que fabricam saxofones de qualidade inferior aos mencionados acima e que tem um tempo de vida muito curto, juntamente com uma qualidade sonora indo de pequena a razoável. Uma exceção é a fabricante Parker, que possuí instrumentos com maior qualidade entre todos os outros chineses. A diferença de preço destes instrumentos é diretamente proporcional a sua qualidade, ou seja, pode-se comprar um instrumento chinês gastando algumas centenas de dólares ou um de qualidade superior gastando alguns milhares de dólares.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Saxofone